ABELHAS

Insecto que produz o mel e a cera.
As abelhas têm o corpo coberto de pelos, seis patas e quatro asas, um dardo ou ferrão, muito aguçado, na extremidade do abdómen; são de uma cor fulva e a sua boca acha-se munida de uma tromba, que lhes serve para sugar o suco das flores, essencial para o fabrico da cera, de que fazem as suas células ou alvéolos, e do mel, que neles depositam.
Cada grupo ou enxame vive num cortiço ou colmeia, debaixo da autoridade de uma rainha. Os enxames são constituídos por três espécies de indivíduos: as mães, abelhas mestras ou rainhas, os zângãos ou machos e as operárias ou obreiras (que são quem constitue a quase totalidade da população existente).
Desde o nascimento (que começa num ovo posto pela rainha), até estar formada, a abelha passa por diversas transformações (ovo, larva, crisálida ou ninfa e insecto perfeito), que se designam por metamorfoses.
As operárias ou obreiras são todas as outras abelhas fêmeas da colmeia. São fêmeas de desenvolvimento incompleto que, como o nome indica, fazem todo o trabalho da colmeia. E os deveres mudam com a idade:

1 a 3 dias Limpar e polir as células
1 a 3 dias Alimentar as larvas mais velhas
6 a 8 dias Alimentar as larvas mais novas
8 a 12 dias Alimentar e cuidar da rainha
12 a 15 dias Limpeza da casa
15 a 18 dias Segregação da cera e construção dos favos
18 a 20 dias Guarda da colmeia
21 dias em diante Procura de pólen, néctar, água e própolis

No verão a vida de uma obreira é muito curta, cerca de seis semanas. Pode dizer-se que morrem por excesso de trabalho, pois a actividade necessária para a produção do mel é prodigiosa. Uma colónia de dimensão média (40.000 abelhas no verão) pode recolher e consumir 45 kg de pólen e produzir 180 kg de mel, consumindo entre 135 e 157 kg desse mel.
Chama-se apicultura à criação de abelhas para fins comerciais, sendo designado quem a exerce por apicultor.
Embora a picada da abelha não seja extraordinariamente perigosa, convém atenuar os seus efeitos dolorosos e incomodativos. E para isso, ainda que se desconheça qualquer remédio de absoluta eficácia, principalmente porque quando se chega a intervir já o veneno entrou na corrente circulatória, aconselha-se o seguinte: arrancar imediatamente o ferrão e esfregar o ponto picado com salsa ou com uma cebola cortada. No caso de diversas picadas, deve aplicar-se sobre a região atacada compressas de água fria salgada ou levemente avinagrada. Aplicam-se picaduras de abelha no tratamento do reumatismo crónico.
As abelhas operárias são disciplinadas, metódicas e ordeiras. Elas surgem de um ovo depositado pela abelha rainha em um dos tubos hexagonais que formam uma colméia, e a partir daí inicia-se a história de vida de uma pequenina, porém extraordinária operária.

· três dias depois nasce uma pequenina larva
· nos três dias seguintes a larva recebe como alimento a geléia real cresce e desenvolve-se
· nos outros cinco dias seguintes recebe mel e pólen também como alimento e continua o seu desenvolvimento
· no oitavo dia a larva já ocupa todo o espaço interno do tubo (seu crescimento se dá com várias trocas das mudas de pele) e começa a tecer um casulo no interior do qual a larva transforma-se em pupa (neste momento o tubo é fechado com uma tampa de cera) que em seguida se resolve em um inseto adulto.
· no 20o ou 21o dia da fase de pupa, esta transforma-se em uma nova abelha operária e sua primeira tarefa é limpar o tubo onde nasceu e se desenvolveu. A primeira função de uma abelha operária é a de manter a limpeza e dar a correta destinação final dos resíduos encontrados (restos de mudas de pele, de mel, de grãos de pólen e de cera) na colméia. Esta fase dura uns três dias
· no quinto dia de vida adulta, a abelha passa a secretar geléia real pela sua boca que é colocado nos tubos que contém larvas (se uma larva recebe esta geléia real por seis dias, ela transforma-se em rainha - esta tarefa é definida pela necessidade da comunidade ter uma nova rainha).
· as operárias adultas com nove dias de vida param de produzir a geléia real e assumem uma nova função - a de construtora da colméia. O mel que ingeriu até então é transformado em cera que é utilizada para formar os favos (conjuntos de tubos hexagonais). Uma secreção surge dentre as placas de seu abdome. Ela é retirada pelas patas anteriores e levada para a boca onde as mandíbulas a transforma em cera que é empregada na construção do favo.
· com dezesseis dias de vida as abelhas assumem nova função - a de receber em sua boca o néctar trazido por outras operárias e depositá-las nos tubos vazios. No interior destes tubos, dias depois, o material transforma-se em mel (favos de mel). O pólen trazidos por outras abelhas é armazenado separadamente em outros tubos compactados pela atividade das operárias.
· vinte dias de vida - a abelha operária passa a função de guarda da colméia. Fica a postos nos acessos da colméia, atenta a aproximação de outros insetos (formigas, cupins) e até animais como ursos. A comunicação do perigo é feita com a dispersão de um odor liberado por uma glândula localizada próximo do ferrão. A percepção deste sinal promove a saída de populações de operárias que vão atacar decididamente os intrusos.
· no vigésimo terceiro dia de vida a abelha assume a atividade mais trabalhosa - a de sair pelos campos para coletar néctar e polén. Mais, os elementos que identificam fontes de néctar e pólen comunicam às outras abelhas, por meio de movimentos (espécie de dança) a localização das referidas fontes. O odor preso à abelha informante comunica detalhes sobre o tipo de planta localizada. A operária desempenha cerca de 30 dias a atividade de coleta de materiais para abastecer a colméia.
· Depois de cerca de 50-55 dias de vida como abelha operária, sentindo aparecer a fraqueza e a velhice, o pequeno trabalhador afasta-se espontaneamente de sua comunidade para morrer sem promover a descontinuidade do trabalho de suas dedicadas colegas.

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